Silêncio e ação: a reinvenção da linguagem no cinema pós-pandemia.

Francisco Malta

Universidade Estácio de Sá, Brasil

Wilson Oliveira

Universidade Estácio de Sá, Brasil

Renan Oliveira

Universidade Estácio de Sá, Brasil

Matheus Moita

Universidade Estácio de Sá, Brasil

Thiago Malvar

Universidade Estácio de Sá, Brasil

Stella Nemer

Universidade Estácio de Sá, Brasil


 

Keywords:

Cinema, Script, Narrative, Pandemic, Linguage.


Introdução

A pandemia causada pelo novo Coronavírus impactou o setor do audiovisual em escalas jamais vistas. Há quem afirme que tal situação apenas acelerou o processo natural da indústria, que ocorreria dentro de alguns anos, tais como o foco nos serviços de streaming e a consequente visibilidade dessas plataformas. Outros, contudo, encaram a pandemia como a queda inexorável do cinema mundial, quase como um retrocesso com data marcada. Como na maioria dos casos, uma conscientização da situação mais próxima da realidade pode ser encontrada na linha tênue entre o abandono do velho formato e a ascensão absoluta das plataformas de streaming. O presente trabalho tem como proposta discutir os recursos de imersão nas narrativas audiovisuais e a inserção de tais técnicas no que se refere ao roteiro e à direção em um cenário pós-pandemia.


Em abril de 2020, dois anúncios deixaram em alerta a indústria cinematográfica – principalmente, os setores de exibição e distribuição. O primeiro deles se referia ao fato de que o Oscar 2021 aceitaria inscrições de filmes lançados diretamente em plataformas de streaming, devido à crise da Covid-19. Até 2019, empresas como Disney, Universal, e Warner mantinham um acordo com as redes de cinema para que suas obras cinematográficas fossem lançadas em DVD, Blu-Ray ou plataformas digitais somente após 90 dias de sua estreia nos cinemas. Esse acordo tinha o objetivo de incentivar o público a sair de casa, consumir os snacks dos cinemas, e comprar os ingressos – ou seja, ter a experiência completa de assistir ao filme em uma sala de exibição. Mas esta situação mudou especialmente por causa do avanço dos serviços de streaming. Grandes produções com atores renomados em seus elencos começaram a ser lançadas em plataformas como Netflix, Amazon Prime Video, e HBO GO. Em um primeiro momento, a indústria cinematográfica tradicional resistiu, mas os fatos mostravam que a ascensão das plataformas não poderia ser contida. Mesmo com um novo concorrente, o cinema conseguiu manter a sua força. Em 2019, por exemplo, o filme Vingadores: Ultimato [Avengers: Endgame] arrecadou 2,797 bilhões de dólares[1], o equivalente a 14,53 bilhões de reais, tornando-se a maior bilheteria de todos os tempos.


O segundo alerta veio com a declaração de falência da CMX, rede norte-americana de cinemas com sede em Miami. Outras grandes redes, tais como Cineworld e AMC, também indicaram dificuldades e se mostraram contrárias à disponibilização de produções diretamente em streaming antes ou ao mesmo tempo da exibição em cinemas. De acordo com um relatório publicado pela agência de análise MoffettNathanson [2], a pandemia do novo Coronavírus serviu como catalisador nas mudanças da indústria do cinema, levando ao processo de transição das salas de exibição para o streaming e uma possível fusão entre grandes estúdios de Hollywood. Além disso, provocou o fim da chamada “era de ouro da TV” nos Estados Unidos. Como podemos perceber, o cenário é de renovação e transformação da linguagem audiovisual em sua relação com o público.

[1] Embora Vingadores tenha alcançado o primeiro lugar das maiores bilheterias do mundo no ano de 2019, o filme Avatar, que ocupava a mais alta posição anteriormente, recuperou-a após o seu relançamento na China, em 2021. Dados retirados do site E-Pipoca. e disponíveis em: https://epipoca.com.br/avatar-pode-recuperar-recorde-de-maior-bilheteria-do-cinema. (Acesso em 12/03/2021) [2] MoFFET NATHANSON: Disponível em: https://www.moffettnathanson.com. Acesso em 10/03/2021


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